quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Voto facultativo, como seria no Brasil?

Batalha voto a voto, onde cada voto faz a diferença.
Assim foram as eleições para presidência nos Estados Unidos.

Os candidatos precisavam conquistar cada eleitor, fazer com que, além de ter o apoio, com que fossem as urnas votar.

Será que no Brasil, caso o voto fosse facultativo, as pessoas não votariam com maior conciência?
Não pensariam mais sobre em quem votar, avaliando cada candidato e suas propostas?

Só iriam votar, quem realmente estivesse interessado no desenvolvimento do país e elegendo os candidatos que demonstrassem real capacidade de gestão.

Talvez seja a hora de pensar, não tornar uma decisão tão importante como obrigatória, onde muitos acabam votando em um candidato, não por considerar que seja um bom gestor, mas em alguns casos por não querer que o adversário seja eleito.

Temos que refletir sobre as eleições no Brasil.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Pratique a gentileza

Bom-dia, por favor e obrigado são o tripé para um ambiente saudável e cordial

Daniela Lacerda (redacao.vocesa@abril.com.br) 23/10/2012
No fim do século 19, uma mulher se faz passar por homem para conseguir trabalho em um hotel. Esse é a história do mordomo Albert Nobbs vivido por Glenn Close em filme - Crédito: Divulgação
No fim do século 19, uma mulher se faz passar por homem para conseguir trabalho em um hotel. Esse é a história do mordomo Albert Nobbs vivido por Glenn Close em filme
No fim do século 19, uma mulher se faz passar por homem para conseguir trabalho em um hotel. Outra, também para sobreviver num mundo dominado por eles, incorpora as roupas, a postura e a profissão do falecido marido, tornando-se um pintor de paredes. Disfarçam-se sob o vestir e também sob o agir, estereotipada mente masculinos.

Na primeira década do século 21, o número de mulheres em cargos executivos das 500 maiores empresas do país duplicou. No guarda-roupa de muitas delas, vestidos em lugar de terninhos. Na mesa de reunião, firmeza, sim, mas com delicadeza. Não há mais que se disfarçar o ser mulher. Há que simplesmente ser. E ganhar com isso.

O mordomo/garçom Albert Nobbs (vivido por Glenn Close em filme de mesmo nome) e seu amigo pintor (Janet McTeer) valeram às atrizes merecidíssimas indicações ao Oscar deste ano por seus papéis no filme de Rodrigo García. Na vida real, executivas passaram décadas tentando se desvencilhar de arquétipos masculinos impostos a elas pelas organizações. Até que finalmente conseguiram. “A mulher precisou se masculinizar para conseguir seu espaço no mundo corporativo.

Mas esse passo a gente já deu”, diz a executiva Camila Valverde, 37 anos. Diretora de sustentabilidade do Wal-Mart Brasil, é uma mulher doce e gentil, que gosta de se sentir feminina e faz o tipo família. Coisa de mulherzinha? Sim. De mulherzinha poderosa. Desse jeitinho aí — em nada parecido com a típica imagem da chefe-general —, Camila começou como estagiária e hoje ocupa um dos cargos de maior responsabilidade na empresa. “Nunca dei espaço para preconceito. E sempre entreguei resultados.”

Pois que venham os resultados, atrelados a mais graça, leveza e cortesia. Esqueça as amarras impostas pelo gênero. E, principalmente, os protótipos machistas de poder. Nunca foi tão permitido e produtivo ser uma lady. “Falar palavrão, bater na mesa, gritar ou humilhar são atitudes completamente fora do contexto do mercado, tanto para eles como para elas”, diz a consultora de etiqueta corporativa Renata Mello. Hoje, o que conta pontos, e muitos, é exatamente o contrário. “O ambiente organizacional se baseia em relações interpessoais. Se você estabelece vínculos de respeito, consideração e parceria, consegue um retorno muito melhor.”

É simples assim: um pedido feito educadamente tem muito mais chances de ser prontamente atendido. Outro, rispidamente imposto, corre um grande risco de ir direto para o fim da fila. De uma maneira mais ampla, esse raciocínio vai pautando toda a sua trajetória na companhia. Ser sempre muito bem-educada com todos (todos mesmo), respeitar as diferenças e evitar julgar são sinônimos de boas maneiras e, consequentemente, de um ambiente mais positivo, mais agradável e muito mais eficiente. Os indispensáveis bom-dia, por favor e obrigada conquistam simpatia. O olho no olho mostra que você se importa com quem está falando e com o que está ouvindo. O tom de voz, mais para baixo do que para alto, indica respeito. O interesse pelo outro mostra consideração. E tudo isso junto passa uma boa imagem não só de você mesma, mas da sua empresa.

Alguns deslizes, no entanto, podem botar tudo a perder, alerta Renata Mello. Nada de confundir feminilidade com sensualidade. Nem com uma postura infantilizada e melosa. Do mesmo modo, nunca esqueça que há, sim, limites entre o universo pessoal e o profissional. É legal ser simpática e conversar sobre o mundo lá fora, mas sem exageros. Reserve os apelidos carinhosos para a sua família e nunca, jamais, nem no banheiro e de luz apagada, como diria Danuza Leão, revele intimidades ou perca o controle emocional. Lady que é lady mantém a classe. Sempre.

P.S. Claro que nem toda mulher faz o tipo doce e angelical, nem todo homem faz o tipo ríspido e durão. Que venha a diversidade, com todas as suas singularidades. Mas sempre com muito respeito, gentileza e educação. Para Albert Nobbs, com amor.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A hora de parar

Ana Camargo, de 41 anos, conta como foi a experiência de dar uma pausa na carreira em busca de foco e equilíbrio

Ana Camargo: Ela pediu demissão do cargo de gerente de marketing para o Brasil da Louis Vuitton para curtir um sabático - Crédito: Joene Knaus
Ana Camargo: Ela pediu demissão do cargo de gerente de marketing para o Brasil da Louis Vuitton para curtir um sabático
"A ideia não era viver um sabático ao estilo do filme Comer, Rezar, Amar, estrelado por Julia Roberts — parar tudo e fazer uma viagem de autoconhecimento para o Oriente. Depois de 17 anos trabalhando em grandes empresas como Natura, Bunge Alimentos, Swarovski e Louis Vuitton, sempre em movimento ascendente de carreira, resolvi sair do mundo corporativo e pedi demissão do cargo de gerente de marketing para o Brasil da Louis Vuitton. Aos 41 anos, já tinha conquistado uma boa posição e salário, mas não estava feliz.

Durante toda a minha trajetória, o foco foi a vida profissional. Não me casei, não tive filhos. Talvez, por isso, ficava no trabalho sempre por mais tempo do que os outros — em média, dez horas por dia. Acabei não equilibrando o cuidado com as outras esferas da vida, como família, amigos, namorados e, acima de tudo, eu mesma. Começava academia e parava; deixava a consulta do médico sempre para depois.

Já estava cansada dessa rotina, e aquela alegria característica da minha personalidade não era a mesma. Cada nova etapa de carreira vem acompanhada de autocobrança e dedicação total, que aos poucos vão impossibilitando ter uma visão com clareza. Foi aí que resolvi mudar. Em setembro do ano passado, apesar de um ótimo salário e da estabilidade profissional, pedi demissão. Foi uma decisão difícil. Muitas pessoas até hoje não entendem.

Logo que parei, ainda no auge do estresse, cheguei a pensar que nunca mais retomaria minha carreira. Pensei em voltar para a faculdade, fazer psicologia, ou abrir uma escola de inglês para crianças. Mas, sem tomar decisões impulsivas, aproveitei o tempo para sair da rotina do mundo corporativo e voltar os olhos e os cuidados para mim. Fazer meu planejamento de vida, finalmente. Um tempo para executar e organizar coisas simples, como passar 20 dias em um spa, iniciar uma terapia com foco em coach, passar mais tempo no interior com a família, sair mais com as amigas, preparar jantares especiais para o namorado, retomar um curso de espanhol intensivo, que já havia começado e parado duas vezes, voltar à academia com frequência.

À medida que o tempo foi passando, minha mente foi se aquietando e pude perceber o que realmente quero fazer. Para minha felicidade, esse período me fez ter certeza de que amo o que faço e quero continuar. Ainda bem. Agora, depois de seis meses fora de uma empresa, me sinto pronta para voltar ao mercado com mais equilíbrio e energia. Só que de forma diferente.

Aprendi que é muito fácil desequilibrar a vida. Por ser solteira e não ter marido e filhos, acabo ficando mais tempo no trabalho, esquecendo os fins de semana, assumindo mais coisas ao mesmo tempo. Mas isso não está certo. O segundo grande aprendizado foi que, em momentos de estresse, precisamos fazer uma autoanálise. São as pessoas, os chefes, a empresa que fazem cobranças demais ou é você? Muitas vezes vivemos um grande estresse por uma cobrança só nossa. Descobri que, mantendo o foco em meu equilíbrio, é possível assumir novos desafios de forma mais leve e mais feliz."

Você S/A

domingo, 4 de novembro de 2012

Todo poder às mulheres

Hoje o número de famílias brasileiras chefiadas por mulheres soma 35%, segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD) de 2009. Além disso, elas representam 45% da população economicamente ativa. Entretanto, segundo dados do Ministério do Trabalho, mulheres com ensino superior completo ainda ganham 41,8% a menos que os homens e apenas 15% delas fazem parte da liderança corporativa, fator que tem levado cada vez mais mulheres a deixar a carreira na empresa e apostar no empreendedorismo.

Uma das grandes iniciativas mundiais para o avanço feminino no ambiente organizacional foi a criação da ONU Mulheres, que desde janeiro de 2011 tem estabelecido práticas nas empresas públicas e privadas que auxiliam executivas a atingir salários iguais aos dos homens e a conseguir avanços na capacitação profissional, além de oferecer às organizações incentivos à contratação e promoção de mulheres para cargos de diretoria.

Especial Mulheres: Como é a atuação da ONU Mulheres no mundo corporativo? Que medidas estão sendo adotadas para estabelecer condições paritárias de gênero no mundo corporativo

Júnia Puglia: A ONU Mulheres é uma entidade das Nações Unidas que promove a igualdade de gênero. Nossa presidente, Michelle Bachelet, tem como bandeira o empoderamento [autonomia] das mulheres, que almeja ampliar a participação delas no mercado de trabalho e melhorar as condições dessa participação. Nos anos 2000, Kofi Annan, então secretário- geral da ONU, lançou uma plataforma global de relacionamento com as empresas, o Pacto Global da ONU, que visava, entre outras coisas, proteger e garantir a dignidade do trabalho, a transparência na gestão, a lisura nas questões financeiras e a construção de uma economia global mais inclusiva. Em 2010, foi elaborada uma parceria com o Pacto Global, que gerou o programa Princípio de Empoderamento das Mulheres, cujo objetivo é criar parâmetros para empresas interessadas em estabelecer participações equitativas, bem como dialogar com o mundo corporativo, acompanhar as dificuldades, os gargalos e os problemas de ascensão de carreira. Atualmente, mulheres de diferentes classes sociais estão optando pelo empreendedorismo, pois percebem que em determinado momento não têm possibilidade de ascender na empresa ou continuam com salários abaixo do que deveriam receber.

Que alternativas o empreendedorismo oferece e as empresas deixam passar?

A rotina do empreendedor pode ser mais flexível e exigir menor demonstração de competência do que uma empresa demanda. Em termos de desenvolvimento econômico do país, o empreendedorismo tem um vasto alcance. E muitas mulheres optam por esse desenvolvimento pessoal em vez de procurar um cargo em empresa. Isso acontece porque muitas organizações criam dificuldades para o profissional que precisa conciliar vida corporativa e dedicação à vida familiar.

Por motivos culturais, às mulheres recai a tarefa de cuidar do bem-estar da família e das tarefas domésticas e, nesse sentido, o empreendedorismo oferece mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal, pois permite que ela escolha o tempo que permanecerá em casa — o que, por outro lado, pode resultar em trabalho "interminável", pois ela fica disponível a todo o conjunto de tarefas domésticas.

O que o empoderamento das mulheres e sua participação em todos os setores da vida econômica geram para o avanço do país?

As mulheres são 40% do mercado de trabalho, ou seja, um colosso de gente produzindo para o país. Individualmente, as protagonistas se beneficiam com sua participação no mundo do trabalho, com planos de carreira, perspectiva do futuro, autonomia e a capacidade de gerir a própria vida e de tomar decisões.

Segundo a revista inglesa The Economist, a ascensão feminina contribuiu mais para a economia global do que as novas tecnologias ou o crescimento da China. No Brasil, qual é a participação das mulheres na economia?

A contribuição das mulheres para a economia é fundamental, principalmente para o mercado doméstico, onde há uma participação relevante. O tempo e a dedicação oferecidos pelas mulheres no espaço doméstico tem um enorme valor, sem ele não há avanço no país. Entretanto, ainda é necessário aprimorar as oportunidades em uma série de profissões. Existe uma confluência internacional sobre o acerto dessa iniciativa.

O Banco Mundial e a ONU Mulheres, por exemplo, dialogam com grandes empresas como Coca-Cola, Avon e Walmart, pois elas são importantíssimas nesse avanço cultural. Assim, investimos na promoção de políticas institucionais que ampliem as possibilidades da mulher na carreira corporativa.
Um grande entrave desse processo, no entanto, é a forma como a imprensa e a sociedade reproduzem
a imagem das mulheres.

Que imagem é passada?

As pessoas ainda insistem que existe um estilo feminino de gestão, o que não existe. Mas não há diferença entre estilo feminino e masculino. O estilo feminino somente interessa para as empresas quando ele significa menos gastos e melhor aproveitamento para o negócio. Mulheres competentes são mulheres competentes e ponto. E homens competentes também podem ser sensíveis, por exemplo. Esses rótulos são bobagens que precisam ser superadas. É equivocado, porém muito comum, falar que as mulheres são menos ambiciosas, mais éticas e multitarefas. Assim como está superado o valor que era dado àquele executivo durão que vivia apenas para a empresa. No mundo de hoje, muitos homens querem mais tempo para si mesmos e para estar com a família. Precisamos sacudir as crenças corporativas, porque todo mundo vai ganhar com uma compreensão mais equilibrada da coisa. As mulheres tiveram anos de confinamento doméstico e por isso são associadas às funções domésticas, mas os homens estão muito mais preparados para atuar nesse ambiente atualmente. Todo mundo deveria poder escolher como vai se portar.

Quais foram os maiores avanços das profissionais no Brasil?

Já caminhamos bastante. Há 40 anos essa nossa conversa não aconteceria, pois as mulheres ainda não
estavam no mercado de trabalho. E as poucas que estavam preenchiam um espaço que não queriam.
Esse sonho de escolher como viver precisa avançar, tanto para homens quanto para mulheres, para que todos tenham liberdade de escolher as profissões mais diversas, seja na política, nas artes, no trabalho doméstico ou em cargos executivos. Temos avançado bastante e rapidamente. Mas mulheres com cargos de liderança ainda são muito poucas.

Como o programa Princípio de Empoderamento das Mulheres atua para ampliar a participação das mulheres no mercado?

Há uma percepção crescente do potencial das mulheres, pois cada vez mais existe uma compreensão de que ser mulher ou homem não coloca uma diferença sobre eficiência de produção. Existe um desequilíbrio entre expectativas e capacidade produtiva devido à atribuição cultural de que somente a mulher é responsável por questões como gravidez e maternidade. Nós tentamos convencer as empresas de que o tratamento desigual é injusto. A gravidez recai sobre a mulher, mas, com todas as suas nuances, é um tema da sociedade, pois trata da reprodução da espécie, e a continuação da humanidade não é uma tarefa apenas feminina. Uma grávida não custa caro para a sociedade, se você analisar que o custo da perpetuação da espécie deve ser compartilhado por todo mundo.
Você S/A

sábado, 3 de novembro de 2012

Seleção nada eficiente

Tudo começa num almoço com o headhunter. O objetivo do profissional especializado em recrutar pessoas é sondar se o candidato identificado por ele tem interesse na vaga oferecida pela empresa. O headhunter mostra um interesse incomum no signo e no dia de nascimento do candidato. Mas até aí tudo bem. Tem gente obcecada por astrologia mesmo. em seguida, são marcadas reuniões com altos líderes da companhia contratante ou happy hours com seus executivos. e, quando o candidato acha que já passou por todas as etapas do processo, surge um convite inusitado: "Que tal você mostrar suas habilidades culinárias na cozinha do nosso refeitório?", indaga o recrutador.

Sim, mesmo em tempos de mercado aquecido, ainda há organizações que incluem o preparo de alimentos, a análise de caligrafia e outras avaliações muito menos ortodoxas em seus processos de seleção. "Há empresas que ultrapassam os limites e expõem os candidatos a situações vexatórias", diz Waleska Farias, consultora de carreira e imagem do Grupo Hel, do Rio de Janeiro, que presta serviços de gestão de pessoas para o setor hoteleiro.

André Magro, gerente da área de expertise de recursos humanos da Hays, de São Paulo, também descarta dinâmicas para posições que não sejam de estagiários e trainees. "O melhor é a boa e velha entrevista", diz André. Opinião que é compartilhada por Jacqueline resch, sóciadiretora da consultoria carioca Resch Recursos Humanos. "O bom processo é feito de instrumentos para avaliar as competências do profissional, não de modismos. O mais importante no recrutamento é a entrevista", diz Jacqueline.

A seguir, sete consultores de RH e headhunters revelam as piores práticas já solicitadas pelas empresas clientes na hora de contratar. Se um dia você se vir numa dessas situações, vale a pena reconsiderar a oferta de emprego e buscar outra vaga.

Sua letra, seu destino
A maioria dos headhunters tende a deixar os exames grafológicos ou testes de caligrafia fora do rol das bizarrices da seleção, visto que são, segundo Jacqueline Resch, uma técnica respeitada na França e usada por muitas empresas. Mas o que dizer de uma companhia de grande porte cujo dono conheceu uma grafóloga num aeroporto no exterior, ficou impressionado com o que ela falou de sua letra em relação à sua personalidade e, desde então, submete todos os candidatos ao teste com essa mesma pessoa? "Antes de qualquer coisa, de qualquer entrevista, os textos dos candidatos são enviados para fora do país, retornando com um laudo em português troncho, que elimina candidatos excelentes sem que possamos fazer uma entrevista de validação para checar o perfil dele", diz Simone, da Teamwork. "Isso sem falar no quanto esse vai e vem torna o processo mais lento." Bem, nesse caso, a grafóloga ao menos tem o emprego garantido

Só os fortes sobrevivem
E quando o cenário da seleção é um hotel fazenda? Mas, em lugar de camas fofinhas e travesseiros macios, os candidatos encontram um acampamento mambembe. "Já vi empresa de publicidade submetendo seus candidatos a treinamento de sobrevivência, coisa que só é necessária para pilotos e comissários de bordo, por exemplo. A organização aluga um hotel fazenda e coloca o pessoal acampado, já sabendo que está chegando uma frente fria por lá. Tudo isso para ver a capacidade de liderança, de discernimento e de lidar com imprevistos dos profissionais. Acho que, no fundo, a organização não sabe exatamente o que quer. Por isso, acaba contratando errado", diz Alexandre, da PM Luz.


Está puxado? Peça para sair!
Em alguns casos, a pressão já começa pelo horário marcado para a entrevista. "Testemunhei o relato de uma profissional que foi chamada para entrevista na empresa às 21h59", diz Waleska Farias. Simone Madrid já viu candidato chorar em processos que mais pareciam interrogatórios. Em um deles, ela conta que um diretor fazia bolinhas de papel e as lançava na parede, por cima da cabeça do candidato enquanto ele falava. "O propósito era intimidar e observar como o candidato reagiria", diz ela. No quesito "reação do candidato", há ainda os processos que incluem perguntas estúpidas e que não agregam nada para a entrevista, a não ser olhares de interrogação. "Tem quem pergunte, por exemplo, o que o profissional faria se o escritório começasse a pegar fogo naquele exato momento. Mas não há como prever a reação do profissional num caso assim. É claro que ele vai dar uma resposta e, na hora, pode agir de modo diferente", diz Alexandre Luz.

Entrevista com faxina
Imagine a seguinte situação: os candidatos chegam para uma dinâmica e encontram uma sala suja. A primeira prova de competência a que são submetidos é o devido uso de vassouras. E, para isso, todos são convidados a varrer o chão. "Recentemente, me surpreendi quando uma empresa cliente questionou se é usual nos processos seletivos os candidatos varrerem a sala de entrevista e servirem água e café aos demais participantes. Os condutores do processo justificaram o método como sendo de fundamental importância para observar o jogo de cintura e a disposição em servir o outro dos candidatos à vaga de emprego", diz Waleska Farias, consultora de carreira do Grupo Hel.



Precisa-se de engenheiro (que entenda de vinho)
Uma multinacional de petróleo quer submeter os candidatos à vaga de emprego a uma prova com panelas, na cozinha mesmo. Na avaliação do RH da empresa, a habilidade do profissional na cozinha pode revelar sua disciplina e capacidade de organização. Alexandre Luz, diretor de RH da PM Luz Consultoria, do Rio de Janeiro, viu um candidato à vaga de gerência com responsabilidade de comandar 200 funcionários se recusar a ir para o refeitório da companhia cozinhar. "O profissional disse que isso era uma palhaçada e foi eliminado do processo", diz Alexandre. Outra empresa do setor de óleo e gás introduziu um teste de conhecimento em vinhos na avaliação inicial para o cargo de engenheiro comercial. A justificativa, lembra Simone Madrid, sócia da Teamwork Hunting, consultoria de RH de São Paulo, era de que buscavam um profissional refinado para receber comitivas estrangeiras e frequentar jantares com presidentes de outras empresas.

Vagas para taurinos e arianos. Favor não insistir
Há empresas que, ao enviar o perfil do profissional para a vaga, já exigem que o headhunter selecione pessoas nascidas num período específico do ano. "São aquelas que buscam levantar o mapa astral da pessoa", diz Alexandre Luz. Leonardo Leitão, gerente de negócios da Proff Gente e Gestão, também já deparou com uma organização que queria o mapa astral de candidatos à vaga de coordenação para identificar o perfil mais compatível com o gestor. "Ganhou a vaga aquele que tinha o melhor alinhamento de acordo com os astros. Eu até respeito a decisão, mas acho um absurdo, porque isso não vai influenciar em nada a performance do profissional", diz Leonardo. O pior caso, no entanto, foi o identificado por Waleska Farias, do Hel: "Recentemente, durante um processo seletivo, a pessoa que conduzia a entrevista pediu para ver as mãos do candidato a fim de identificar, por meio dos traços e do formato, se ele seria a pessoa certa para liderar a equipe de vendas da companhia".

Aula de Artes Plásticas
A vaga em aberto era numa multinacional europeia. O cargo, de executivo chefe da área de finanças. Cada candidato tinha de desenhar alguém na chuva com um guarda-chuva. Para isso recebia uma folha de papel em branco com outras quatro folhas embaixo. As folhas sobressalentes serviriam para que se pudesse analisar a força que o profissional empregava ao escrever, o que, segundo os crédulos, revelaria seu caráter. "Candidatos muito bons foram colocados de lado porque o desenho não tinha chão ou porque tinham desenhado só uma pessoa debaixo do guarda-chuva. Confesso que até hoje não entendi o que a organização enxergava como um desenho correto", diz Magui Castro, da CTPartners, de São Paulo. "Eu pedia desculpas, e eles só riam."


Candidato = MBTI + OPQ32 + MQ
Queridinhos dos profissionais de RH, os testes psicológicos não são inteiramente confiáveis para determinar a escolha de um profissional. Afinal, muitos deles revelam não a personalidade da pessoa, mas o perfil dela naquele momento específico. "Só faço se a empresa pede mesmo, porque, se o candidato está desempregado, ele vai ser rotulado de inseguro no teste. Mas é só ele começar a trabalhar e ganhar confiança para o disco mudar", diz Magui Castro. André Magro, da Hays, também não é a favor da aplicação dos testes. "Há testes de até 10 000 reais que fazem análises de personalidade assim como a Mãe Dinah faz previsões, pois eles não dizem se, nos próximos anos, o candidato vai ter algum problema emocional", diz André.


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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Respeito ao consumidor

Recentemente tivemos as eleições para prefeitos e vereadores, várias promessas de melhorias na segurança, educação, saúde, lazer, mas será que nós, a população brasileira quer viver apenas de promessas?
Digamos que este é o momento das eleições, ouvimos, nos irritamos, acreditamos, decepecionamos e assim vamos vivendo a cada dia.

Mas o que precisamos levantar as vozes é o desrespeito ao consumidor.
Pagamos nossos impostos, compramos os produtos, serviços e será que recebemos pelo que pagamos?
A resposta é, muitas vezes não.

E o pior, temos vários órgãos que estão ai e existem para fiscalizar e será que fiscalizam?????
Vamos lá, o que a Anatel está fazendo em relação a telefonia e a internet?
Pagamos por um serviço e recebemos pelo que pagamos? A resposta é não.
E o que este órgão está fazendo para melhorar? Tentando nos enganar, apenas isso.
Ficamos sem funcionamento do celular, penalizam a operadora.
Não recebemos pela velocidade que pagamos na banda larga, penalizam a operadora.
De que adianta penalizar a operadora e o consumidor continuar sendo prejudicado e não é reembolsado?

Nesta semana tivemos um aumento abusivo do combustível na cidade de Curitiba.
OK, o Procon aplicou uma multa e ainda poderam recorrer e não pagá-la e nós consumidores, iremos continuar com este aumento abusivo?

Até quando o Brasil terá estas altas alíquotas de impostos e não ter respeito pelo consumidor?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Europa: existe luz no fim do túnel?

Nos próximos dias 1, 2 e 3 de novembro, São Paulo receberá pela primeira vez o evento Global Business Summit, promovido pela tradicional escola de negócios espanhola Iese. Com o tema "Traçando caminhos em um mundo mais amplo", a conferência tem como objetivo discutir o futuro da economia mundial.

Em entrevista ao Administradores.com, o professor de Finanças, Economia e Administração do Iese Eduardo Martínez Abascal fala sobre a atual conjuntura econômica mundial, a crise que preocupa os europeus e aponta perspectivas para o Brasil.

A Europa enfrenta um momento de grande dificuldade econômica. Existe luz no fim do túnel? Qual a saída para essa crise?

O primeiro passo é entender que as economias europeias são extremamente interligadas. A União Europeia forma um mercado comum, o que significa que quando um dos países membros enfrenta algum problema, os outros sentem as consequências. Por exemplo, há alguns anos, os problemas que se iniciaram na Irlanda, Grécia e Portugal, pouco a pouco, começaram a ser sentidos na Espanha e Itália. Em seguida, a crise já havia se espalhado por todo continente, com exceção da Alemanha. Todos os países da União Europeia estão com a taxa de crescimento negativa. E em relação à Alemanha é uma questão de tempo para que ela também entre em crise, por que o crescimento do país é proveniente das exportações, a demanda doméstica é muito fraca. A Alemanha é um país muito rico e você não venderá um carro em um lugar onde todos já têm um.
Grande parte das vendas alemãs são dentro da União Europeia e se os países-membros estão quebrados não poderão comprar tanto. O resultado é a queda da economia germânica. Um dos principais compradores da Alemanha era a Espanha. Se você der uma volta por Madri ou Barcelona, verá diversos modelos de BMW ou Mercedes-Benz. Ninguém comprará mais um produto que já tem. Minha conclusão, para dinamizar a economia, é pensar a Europa como um só país, com interesses comuns. O problema é que até agora nós não tivemos nenhuma ação política em conjunto contra a crise. Os países, partidos e indivíduos estão lutando pelos próprios interesses em vez de lutar a favor dos interesses coletivos.

Na Espanha, por exemplo, os jovens estão precisando lidar com uma taxa de desemprego muito alta. Qual é o futuro do recém-formado no país?

O futuro é obscuro. As chances de se conseguir um trabalho na Espanha são escassas. Para existirem empregos, é necessário que exista um crescimento econômico estável e não é essa a situação do país. Só existem duas alternativas para os jovens espanhóis: ou eles aceitam empregos que não são compatíveis com a sua formação acadêmica ou vão procurar emprego em outro país. Na Alemanha ou Áustria, existem milhares de empregos, mas muitos recém-formados hesitam em se mudar por que saindo do país de origem estão deixando, também, sua zona de conforto e a qualidade vida. É como deixar o Rio de Janeiro para trabalhar em São Paulo, Na cidade praiana as pessoas pensam: "estou vivendo no paraíso". Mas o paraíso não é nada se você não tiver dinheiro.

O país está em crise e todas as pessoas qualificadas vão embora. Assim a economia não vai se recuperar...

Não, por que essa situação não é permanente. As pessoas passarão alguns anos fora e voltarão depois para o país de origem. Inclusive, eles assimilarão as lições dos países para onde vão, geralmente compostos por pessoas inteligentes e trabalhadoras que passaram anos no exterior se aprimorando, já que a sua cidade não oferecia tantos recursos. Elas falam outras línguas, são capazes de vender seus produtos em qualquer lugar do mundo e possuem habilidades para negócios, já que sabem lidar com pessoas de culturas diferentes. O problema dos latinos - espanhois, franceses, italianos, brasileiros e outros - é que nós vivemos muito bem, achamos que nosso país é o melhor em qualidade de vida. Então, nós raramente buscamos experiências no exterior.

O economista-chefe do FMI, Oliver Blanchard, deu uma declaração nesse mês de outubro dizendo que o período de recuperação da economia mundial após a crise financeira, originada em 2008, pode durar ao menos uma década. Você acredita também nessa estimativa?

Ainda bem que você usou a palavra "acreditar", por que isso é apenas mais uma crença. Ninguém sabe quando a crise chegará ao fim, por que isso depende de muitos fatores como a ação dos políticos, dos bancos e da confiança da população. Essa confiança a que me refiro é aquela que trará o consumidor de volta às lojas. As pessoas precisam ter garantia de seus empregos, para assim voltarem a gastar suas economias. Mas devemos lembrar que a economia mundial já provou ser bastante flexível nos momentos de crise.

Você acredita que movimentos sociais como Occupy Wall Street influenciam a economia?

Perdoe-me, por ter que dizer isso, mas não. Eles fazem muito barulho e recebem muita atenção da mídia, mas os efeitos reais são zero. Esse movimento ganhou várias partes do mundo, quase todo país tem o seu "Occupy". Os manifestantes se reúnem, realizam ações contra os bancos, o parlamento e a bolsa de valores, são como esses movimentos contra o sistema do passado cuja influência final não significa nada. Entretanto, a opinião deles deve ser ouvida e respeitada. Essas pessoas estão mostrando que existe uma desigualdade social muito grande, especialmente na Europa e Estados Unidos, uma desigualdade que é fruto da injustiça, da crise e de políticos que representam mal as vontades do povo.

Nesta quinta-feira (1º), o IESE está promovendo no Brasil o Global Business Summit. O que você pode nos adiantar sobre a conferência?

É a reunião de mil estudantes e graduados da escola de negócios IESE com empresários de todas as partes do mundo para discutir sobre o que esperamos do futuro, quais serão os desafios, riscos e qual o caminho para sair da crise. Será uma conferência que discutirá toda situação econômica mundial. Nós mapearemos os caminhos para um mundo mais amplo.

www.administradores.com.br